Ontem eu era brisa, hoje sou furacão.

18:17

Sempre tive a autoestima baixa, sempre me senti inferior aos outros. Apesar de ser mais alta que a maioria das garotas da minha idade, sempre me senti menor que elas, menos capaz, menos bonita, menos mulher.
Não via muitas qualidades em mim, e quando alguém me elogiava, apesar de receber com gratidão o elogio, raramente acreditava nele.
Meu senso de humor sempre foi fantástico, amava fazer meus amigos rirem, amava fazer as pessoas felizes.
E isso, para mim, sempre bastou.
Mas se tem algo que sempre me moveu e me fez querer mudar minha realidade, foram meus pés na lua, meus sonhos pendurados no varal, minha vontade de não ser o que todo mundo era.
A idade e a maturidade trouxe mais fé em mim mesma, passei a me ver como uma garota que não conhecia um brilho nos olhos que não se deixava apagar, mesmo quando as lagrimas insistiam em encharca-los. Apesar de ter me tornado uma garota confiante, nunca me permite ser arrogante, acredito que mesmo com o furacão que se criou dentro de mim, nunca perdi a doçura de menina, a empatia com quem cruzara o caminho, a sede em fazer quem eu amo feliz, de estar com o peito sempre aberto e o ombro sempre aconchegante.
Decepções me impulsionaram, perdas me fortaleceram chorar me fez mar e amar me fez furacão.

Ante eu aceitava o julgamento precoce sobre mim, antes eu aceitava as palavras que me lançavam, antes eu falava baixinho, chorava escondido. Antes eu me permitia ser brisa, me contentava em ser brisa e como brisa, era facilmente levada pelo vento.
Mas isso foi ontem. Não hoje.
Hoje, eu julgo meu comportamento, hoje eu lanço sobre mim as minhas palavras, hoje eu deixo minha voz ser ouvida, hoje eu me permito ser feliz, hoje eu me permito ser amada. Hoje, eu aceito que não sou boa em tudo, na verdade sou boa em quase nada, mas eu sou boa em algo, há alguma coisa que eu realmente faço bem. Eu aceito o meu dom de escrever em linhas meus sentimentos, porque sei que nem todos conseguem fazer o mesmo.
Na verdade eu sou a mesma menina, da franja de lado, do olhar distante, que ama animais, que se acalma ao olhar para o céu. Eu ainda sou essa menina. Quem me vê por fora, não imagina a mudança que houve aqui dentro.
Eu ainda sou brisa, eu amo ser brisa.
O que mudou é que hoje eu me deixo ser furacão, hoje eu deixo chover e não escondo as poças que se formam.
O que mudou é que hoje apesar de continuar sendo aquela que faz os outros a minha volta gargalharem, eu me preocupo comigo e com o meu riso acima de tudo. Eu sou o que me importa, e é a minha felicidade, os meus sonhos, as minhas emoções que me priorizam.
Eu não me tornei egoísta, eu me tornei amada.
E ser amada só me fez amar ainda mais. Ser amada me fez querer espalhar amor em todo canto.
A boca fala, o corpo exala e a gente espalha o que transborda no coração.
Aprendi que quem critica aqueles que amam demais é porque está acostumado com amor de menos.

Ontem eu me sentia menor, ontem eu silenciava meus anseios. Mas isso foi ontem, não hoje, hoje eu sou grito, no meio de um mundo de amores mudos, hoje eu me sinto grande a cada sorriso e a cada manhã que levanto e recomeço. Ontem eu era brisa, hoje eu sou furacão.

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